quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Limpeza

Após uma conversa despretensiosa com o mestre na aula matinal de hoje, decidi escrever sobre um dos temas que conversamos. Ele me disse de uma forma bem clara algo que eu sempre pensei... Afinal, por que os pianistas de jazz tem o som limpo enquanto os violonistas de música popular tem um som porco e enroscado?
Claro que eu não quero generalizar, apenas entender... Talvez Bill Evans seja meu pianista preferido de jazz. Este que era um pianista branco descendente de rutenos me parece que foi um dos precursores do jazz modal, mas se prestarmos a atenção nele tocando e ver entrevistas, podemos chegar a conclusão de que é completamente perceptível que ele tinha uma formação bem sólida e que estudou a dita música erudita européia. Ron Carter que provavelmente é o baixista vivo mais importante do jazz, começou tocando cello em orquestra e depois virou contrabaixista de jazz. E a pergunta é: Por que no piano e em outros instrumentos é necessário estudar limpeza de sonoridade, fraseado, repertório de diferentes períodos da música ocidental, e no violão não precisa? Ué, mas quem disse que não precisa? Eu acredito que nós brasileiros muitas vezes temos uma postura de iconoclasta, mas da pior forma possível... Como alguém pode ignorar 4 séculos de repertório do instrumento e ainda ser considerado um grande intérprete?
Não acredito que precisa-se ter uma distância entre musica erudita e musica popular, principalmente em um instrumento como o violão que proporciona uma liberdade e uma proximidade entre estes dois universos os quais na minha opinião quando somados acrescentam a ambos os lados.

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