Mais um dia se inicia. Um sol discreto, uma temperatura estável. Hesitei em começar...
Primeira coisa, afinar. Acordei com aquela valsa na mente. Ás vezes me parece que nada importa, só aquele momento, aquela sonoridade distribuída no ar, como se estivesse pintando no silêncio... As bolhas muito bem vindas e bem acomodadas na sua rotina diária. Uma das diferenças entre o violão e os outros instrumentos, é que o violão fica encostado no coração e que o som vibra neste... Uma coisa viciante. Todo dia é preciso subir os mesmos degraus, e se um dia passa em branco, no posterior percebe-se a distância. Após algumas horas, o ápice! Peles descascando e um cansaço estimulante... A sinestesia produzida pelo som do toque sutil na boca do instrumento é inefável. Como diria o mestre Niemeyer,"de curvas é feito todo o universo"... E afinal de contas, quem não gosta de curvas? Logo, o violão com suas curvas, parece com a mulher amada, e será por isso que a maioria dos amantes deste instrumento são homens?
Para terminar o texto vou citar algumas mulheres contemporâneas maravilhosas que dominam este intrumento como poucos, por exemplo: Ana Vidovic, Li Jie, Cecília Siqueira...
terça-feira, 25 de novembro de 2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Deusa
Achei que deveria fazer um texto mesmo que pequeno, afinal ela merece... E não, não é sobre a deusa grega Afrodite que causava cizânia entre Zeus e seus comparsas, e também não é sobre Frigga a deusa da fertilidade na mitologia nórdica, esta que por sinal é a origem etimológica da palavra tão adorada "friday", e por isso que na antiga Alemanha os casais costumavam se casar na sexta-feira porque era dia da deusa da fertilidade e do amor... Mas venho aqui falar sobre algo mais real e mais atual... Uma deusa de carne e osso e com um nome praticamente inacreditável. Porém, antes disso preciso introduzir algo sobre a "Sabah", esta libanesa que é uma cantora ícone em exposição na mídia árabe há mais de 5 décadas, afinal de contas ela já tem lá seus 80 anos, e já protagonizou e cantou em diversos filmes, e diga-se de passagem já casou-se 7 vezes. E foi em alguma madrugada no RJ na casa da minha mama, que eu descobri esse video no Youtube com Sabah e a deusa libanesa chamada "ROLA", e eu não acreditei... Que bizarro!
Mas meus amigos acreditem, essa Rola eu até... O video se chama "Yana Yana", e parece que foi um clássico na voz de Sabah algumas décadas atrás, mas elas regravaram em 2006 (se não me engano) e neste video podemos conferir a beleza estonteante da deusa libanesa, mas com esse nome fica realmente difícil...
Mas meus amigos acreditem, essa Rola eu até... O video se chama "Yana Yana", e parece que foi um clássico na voz de Sabah algumas décadas atrás, mas elas regravaram em 2006 (se não me engano) e neste video podemos conferir a beleza estonteante da deusa libanesa, mas com esse nome fica realmente difícil...
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Primeira aula
Minha primeira aula com o Olmir "Alemão" foi decisiva... Lembro-me de encontrar um senhor bem tranquilo com sua guitarra Gibson 175 que já fez trilha sonora em vários países pelo mundo. Uma das primeiras lições foi dizer-me que ao compor uma musica, mantenha a tonalidade original, pois o cérebro é capaz de captar cores e cada tom é uma cor, logo se mudarmos o tom, mudamos a cor da musica. Depois me disse a respeito da melodia, isso foi genial, o mestre me disse que uma melodia é que nem uma mulher, e a harmonia é a roupa que colocamos nela, então se a harmonia for rica e elaborada enfatizando a beleza das curvas da melodia poderemos embelezar mais a melodia, e se a harmonia for feia mas a melodia bonita estamos desperdiçando uma bela silhueta. E depois me disse que a "moeda" foi inventada na China, e que antes da moeda, os negócios eram na base da troca, e que essa troca era feita pela arte entre os povos, logo se um povo se entediava com a arte do outro povo, não havia troca,
mas quando a moeda foi estipulada, uma decisão latente veio a tona, ou seja, "dinheiro ou arte?" E a partir disso o dinheiro e a arte se separaram para sempre, pois a cultura virou algo secundário...
Além dessas e outras várias lições na música e na vida que aprendi com o velhinho que agora está com 71 anos, o que me marcou é a humildade de um dos maiores guitarristas da história, e isso não é uma mera opinião, pois como diria Platão a "opinião" é algo que fica entre a visão do especialista e a tolice, e nessa área eu estou mais para especialista do que para "achismos"... Ou será que Vicente Amigo (que é o mais famoso violonista flamenco espanhol atual, considerado por muitos o sucessor do Paco de Lucia), e Leo Brower um dos maiores e mais renomados compositores contemporâneos iriam pagar para ver o velhinho tocar na Espanha só por curiosidade?
Não, pode acreditar que não, eles com certeza sabiam que estavam diante de um gigante das 6 cordas, afinal quem não sabe disso ainda, somos nós...
mas quando a moeda foi estipulada, uma decisão latente veio a tona, ou seja, "dinheiro ou arte?" E a partir disso o dinheiro e a arte se separaram para sempre, pois a cultura virou algo secundário...
Além dessas e outras várias lições na música e na vida que aprendi com o velhinho que agora está com 71 anos, o que me marcou é a humildade de um dos maiores guitarristas da história, e isso não é uma mera opinião, pois como diria Platão a "opinião" é algo que fica entre a visão do especialista e a tolice, e nessa área eu estou mais para especialista do que para "achismos"... Ou será que Vicente Amigo (que é o mais famoso violonista flamenco espanhol atual, considerado por muitos o sucessor do Paco de Lucia), e Leo Brower um dos maiores e mais renomados compositores contemporâneos iriam pagar para ver o velhinho tocar na Espanha só por curiosidade?
Não, pode acreditar que não, eles com certeza sabiam que estavam diante de um gigante das 6 cordas, afinal quem não sabe disso ainda, somos nós...
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Suburbano convicto
Se tem um programa da televisão brasileira que me garante diversão e conhecimento é o "Provocações" da TV Cultura. Outro dia assisti a esse programa e era a entrevista do Alessandro Buzo, este que pode ser considerado um herói da periferia entre outros como por exemplo o Junior do Afroreggae, e o Ferréz. Abujamra perguntou ao Buzo: O que é ser suburbano convicto?
E ele disse com toda a tranquilidade: É aquele que quer mudar a periferia e não aquele que quer se mudar da periferia...
Acredito que para as pessoas da periferia eles são uma grande referência e despertam a possibilidade de ter uma vida com dignidade, mas acho que o mais importante é o estímulo que eles passam em relação a literatura, pois todos sabem que a literatura e a educação são a revolução da qual o Brasil precisa. Claro que as pessoas da periferia precisavam de um porta-voz próximo a eles, alguém em quem eles possam se ver e se identificar, mas alguém que tenha percepção do universo além da periferia e que saiba entender e desmistificar a falsa ilusão de que quem não tem cultura inventa uma. Uma questão de referência e uma referência que abre um irreversível caminho na mente daqueles que não tinham esperança...
Eu acredito que esses são alguns dos heróis que o Brasil precisa, afinal esses citados tem uma importânica decisiva e impreterível para muitos que estavam perdidos até então...
E para terminar o texto vou tentar escrever sobre aquele momento da entrevista em que Abujamra diz ao entrevistado que ele pode dizer o que quer e usar toda a liberdade que nunca teve, e Buzo disse algo assim:
A revolução vai acontecer quando a mulecada parar de ficar só no Orkut e começar a entrar em sites e usufruir todo o conhecimento que a internet nos porporciona...
E ele disse com toda a tranquilidade: É aquele que quer mudar a periferia e não aquele que quer se mudar da periferia...
Acredito que para as pessoas da periferia eles são uma grande referência e despertam a possibilidade de ter uma vida com dignidade, mas acho que o mais importante é o estímulo que eles passam em relação a literatura, pois todos sabem que a literatura e a educação são a revolução da qual o Brasil precisa. Claro que as pessoas da periferia precisavam de um porta-voz próximo a eles, alguém em quem eles possam se ver e se identificar, mas alguém que tenha percepção do universo além da periferia e que saiba entender e desmistificar a falsa ilusão de que quem não tem cultura inventa uma. Uma questão de referência e uma referência que abre um irreversível caminho na mente daqueles que não tinham esperança...
Eu acredito que esses são alguns dos heróis que o Brasil precisa, afinal esses citados tem uma importânica decisiva e impreterível para muitos que estavam perdidos até então...
E para terminar o texto vou tentar escrever sobre aquele momento da entrevista em que Abujamra diz ao entrevistado que ele pode dizer o que quer e usar toda a liberdade que nunca teve, e Buzo disse algo assim:
A revolução vai acontecer quando a mulecada parar de ficar só no Orkut e começar a entrar em sites e usufruir todo o conhecimento que a internet nos porporciona...
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Limpeza
Após uma conversa despretensiosa com o mestre na aula matinal de hoje, decidi escrever sobre um dos temas que conversamos. Ele me disse de uma forma bem clara algo que eu sempre pensei... Afinal, por que os pianistas de jazz tem o som limpo enquanto os violonistas de música popular tem um som porco e enroscado?
Claro que eu não quero generalizar, apenas entender... Talvez Bill Evans seja meu pianista preferido de jazz. Este que era um pianista branco descendente de rutenos me parece que foi um dos precursores do jazz modal, mas se prestarmos a atenção nele tocando e ver entrevistas, podemos chegar a conclusão de que é completamente perceptível que ele tinha uma formação bem sólida e que estudou a dita música erudita européia. Ron Carter que provavelmente é o baixista vivo mais importante do jazz, começou tocando cello em orquestra e depois virou contrabaixista de jazz. E a pergunta é: Por que no piano e em outros instrumentos é necessário estudar limpeza de sonoridade, fraseado, repertório de diferentes períodos da música ocidental, e no violão não precisa? Ué, mas quem disse que não precisa? Eu acredito que nós brasileiros muitas vezes temos uma postura de iconoclasta, mas da pior forma possível... Como alguém pode ignorar 4 séculos de repertório do instrumento e ainda ser considerado um grande intérprete?
Não acredito que precisa-se ter uma distância entre musica erudita e musica popular, principalmente em um instrumento como o violão que proporciona uma liberdade e uma proximidade entre estes dois universos os quais na minha opinião quando somados acrescentam a ambos os lados.
Não acredito que precisa-se ter uma distância entre musica erudita e musica popular, principalmente em um instrumento como o violão que proporciona uma liberdade e uma proximidade entre estes dois universos os quais na minha opinião quando somados acrescentam a ambos os lados.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Aforismo
Será que todos nós sabemos algum aforismo edificante? Acredito que hoje em dia essa coisa de personalidade própria está na moda. Todos nós temos um jeito de se vestir, uma casa com um design de acordo com nossa personalidade e etc... Então por isso penso que todos tem um aforismo preferido... Gilles Lipovetski já nos explicou sobre a Felicidade paradoxal contemporânea, e dentro deste discurso ainda nos disse que os museus e salas de concerto em geral estão mais lotadas do que nunca, mas que mesmo assim isso não siginifca um tipo de profundidade no ser humano contemporâneo, muito pelo contrário. Talvez a observação de Baudelaire nos ajude a entender isso, ele escreveu que quem vai ao Louvre só pra ver o quadro da Mona Lisa nunca vai entender o porquê este quadro é tão importante. Lembro-me de quando eu era criança e meu pai dizia um aforismo no qual as formigas só não dominam o mundo porque brigam entre si... Até hoje não sei se ele estava falando sério ou não, mas fazendo uma analogia óbvia acredito que esse seria o caso das mulheres, que só não dominam o mundo porque brigam entre si. Devaneios a parte, vou terminar o texto com um aforismo de uma mulher de personalidade conhecida como "Madre Teresa" que diz: Quem julga não tem tempo para amar!
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Compositor...
A palavra "compositor" é um lugar-comum aqui no Brasil. Basta escrever algumas estrofes, enfiar 3 acordes e pronto, já é. Não sei quanto ao português de Portugal, mas aqui no Brasil tanto Bach, Stravinski, Alban Berg quanto Nando Reis, Renato Russo e Djavan são compositores... Mas peraí, não entendi isso! Quer dizer que a terminologia usada para quem escreve uma peça para um coral a 4 vozes ou para uma orquestra de 80 pessoas, (sendo que será escrito cada nota, todas as respirações nas frases musicais, cada articulação, e tudo isso tentando usufruir ao máximo o desenvolvimento dos recursos que exploram a linguagem de cada instrumento) é a mesma usada para quem faz uma canção com algumas estrofes e alguns acordes? Veja bem, não quero depreciar os poetas e muito menos as canções, apenas quero entender melhor o uso da mesma definição para diferentes propostas. Na língua inglesa existe uma diferença decisiva nos termos empregados para isso e que poderia esclarecer qualquer dúvida. Existe o "composer" que é aquele que escreve música em um discurso apenas com a dialética dos sons, e acredito que hoje os melhores exemplos e mais acessíveis seriam os compositores de trilha sonora como Howard Shore ou Trevor Jones entre outros... E existe a palavra "songwriter" para aqueles que escrevem canções, como Madonna, Michael Jackson... E isso é uma tremenda diferença ignorada apenas por causa do uso da mesma palavra... Se lembrarmos que Arnold Schoenberg disse que o "composer" é um filósofo mas que seus pensamentos são em forma de sons, talvez entederemos a grande diferença entre escrever música e escrever canções... Ou será que não há diferença entre um filósofo e um poeta? Ok, sabemos que o ser humano pensa por analogia , e foi por isso que escrevi essa observação do gênio germânico. A verdade é que escrever música é uma arte muito mais complexa e difícil do que brincar com palavras, e admito isso aqui, mesmo que eu esteja fazendo exatamente essa "brincadeira" neste momento...
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Todos os olhos
Sim, este é o título do famoso vinil lançado por Tom Zé no começo dos anos 70, mas o que eu não sabia, era que a genial e polêmica idéia da capa tinha sido do intelectual Décio Pignatari. Acredito que Décio Pignatari, Mário de Andrade e Augusto de Campos são nomes que deveriam estar muito mais em evidência, afinal estes entre outros fazem com que exista um verdadeiro orgulho em ser brasileiro. Intelectuais a favor da cultura e do conhecimento. Sérgio Buarque de Holanda já escreveu e nos explicou que no Brasil a maioria dos intelectuais usam a vasta cultura que possuem como um troféu a favor do próprio ego. Tenho certeza que não é preciso ser intelectual para ser sábio. E escrevo isso aqui para que tenhamos "todos os olhos" nestes que citei...
E para terminar vou parafrasear uma pequena parte de um texto traduzido por algum desses aqui citados: "A alfabetização fonética deu ao homem um olho por um ouvido- e esta é, social e politicamente, talvez a mais radical explosão jamais ocorrida em qualquer estrutura social."
E para terminar vou parafrasear uma pequena parte de um texto traduzido por algum desses aqui citados: "A alfabetização fonética deu ao homem um olho por um ouvido- e esta é, social e politicamente, talvez a mais radical explosão jamais ocorrida em qualquer estrutura social."
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Quase
Quase não escrevi aqui... Um pensamento ali, outro por aqui. Norman Mailer disse que o ato de escrever é visceral, algo talvez como abrir as próprias vísceras ou veias e arrancar o sangue e toda a energia que nos mantém vivos... Começo a crer que o "quase" é assustador. Descobri que receber um "não" de uma mulher maravilhosa, não é a pior hipótese. Creio que o "quase sim" é pior. Todos nós sabemos que a covardia é mãe da crueldade. E dizer sim em um dia e dizer não em outro, é um "quase sim" peremptório. Foi quase legal...
Bom, termino por aqui e já logo aviso que eu quase apaguei esse texto.
Bom, termino por aqui e já logo aviso que eu quase apaguei esse texto.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Viva a roda!
O "Roda Viva" ontem quase me matou! Começando o texto com uma hipérbole, o que é muito comum no senso de humor brasileiro.... Não entendi o que aconteceu ontem neste maravilhoso programa da TV Cultura. Procuro assistir sempre que possível, e ontem o entrevistado era Lynch. Este eu conheci pessoalmente, se é que posso encarar desta forma nosso lacônico diálogo durante um efêmero encontro na Livraria Cultura.
Ele veio ao Brasil com a intenção de divulgar seu livro de meditação transcedental e praticamente só queria falar nisso. Depois da palestra que fui em agosto e depois de ter assistido ao programa ontem, entendo porque ele não queria falar sobre seus filmes. Muitos não entenderam essa "vibe" de meditação transcedental, mas eu acreditei, e acho que as respostas decoradas servem para perguntas idiotas... Lembro-me que enquanto ele autografava meus filmes, eu perguntei uma só coisa, algo em que acredito que está na essência da obra dele, mas quando eu disse, me pareceu que ele fingiu que não ouviu, mas alguns segundos depois olhou-me e disse: This is not gonna work! E até hoje penso em algumas interpretações para o que essa frase quis dizer naquele momento, mas a correria e o caos estavam transbordando dentro da pacífica livraria naquele dia. Quando David acabou de rabiscar nos dvds, olhou nos meus olhos apertou minha mão e disse "obrigado" com aquele sotaque de americano...
Ele veio ao Brasil com a intenção de divulgar seu livro de meditação transcedental e praticamente só queria falar nisso. Depois da palestra que fui em agosto e depois de ter assistido ao programa ontem, entendo porque ele não queria falar sobre seus filmes. Muitos não entenderam essa "vibe" de meditação transcedental, mas eu acreditei, e acho que as respostas decoradas servem para perguntas idiotas... Lembro-me que enquanto ele autografava meus filmes, eu perguntei uma só coisa, algo em que acredito que está na essência da obra dele, mas quando eu disse, me pareceu que ele fingiu que não ouviu, mas alguns segundos depois olhou-me e disse: This is not gonna work! E até hoje penso em algumas interpretações para o que essa frase quis dizer naquele momento, mas a correria e o caos estavam transbordando dentro da pacífica livraria naquele dia. Quando David acabou de rabiscar nos dvds, olhou nos meus olhos apertou minha mão e disse "obrigado" com aquele sotaque de americano...
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Atuando...
Tenho que começar esse texto admitindo que quase não assisto a televisão, mas que um dia desses vi grandes atores na TV, e não, não foi na novela e nem em seriados, foi algo muito mais "divino"... Acredito que estes atores sejam uma espécie de "jazzistas", pois não consigo crer que eles decorem textos, acho que a maior parte do "atuar" seja improviso. Alguns destes cantam e interagem com a platéia, uma maravilha total. Nos últimos anos, aqui no Brasil aconteceu uma produção de grandes filmes, mas podemos perceber que são quase sempre os mesmos atores, os quais não preciso citar aqui porque todos nós já sabemos quem são. Não sei se é impressão minha, mas todos os atores brasileiros que dão entrevistas dizem que entre trabalhar no teatro e na TV, preferem o teatro... Acredito que apenas uma característica defina a diferença entre um bom ator e um ator medíocre, afinal se estes vão fazer um teste, eles vão ler e decorar o mesmo texto, então me pergunto qual seria essa tal diferença? Muito simples, o que realmente muda é "como eles vão dizer o texto", qual a entonação, a intenção e a interpretação do texto, só isso, mas isso muda muito... Claro que o ponto aonde quero chegar é um só, e inclusive é a principal intenção deste blog, ou seja, "a leitura". Não tenho certeza mas me parece que a média de livros por ano entre os brasileiros é algo em torno de 3 ou 4 livros contando com os livros educacionais das escolas ou faculdades, claro que alguns lêem apenas o capítulo necessário, aquela lei do mínimo esforço imanente a mentalidade enraizada por aqui que já conhecemos bem. Então eu me pergunto, como um ator que lê 3 livros por ano vai ter bagagem para entender e perceber a densidade de encenar uma peça de Ibsen ou Garcia Lorca? Mas isso não me impressiona, o que me impressiona são os atores jazzistas que citei no começo do texto, estes que fazem paralíticos andarem, e que arrancam o dinheiro e a alma dos miseráveis. Queria entender como eles conseguem dormir, pois explorar diariamente a ignorância alheia e conseguir dormir bem é praticamente um "milagre", já que eles usam tanto essa palavra... Já que falei em cinema vou citar Ingmar Bergman, este que era filho de um pastor luterano fanático, e que na maioria dos seus filmes tentou nos mostrar sua relação com Deus, ou a falta de crença neste, mas no filme "Através de um espelho" Bergman nos brinda com um belo conceito de Deus no fim do filme, pois o ator em um diálogo decisivo diz que não acredita em Deus, mas que quando pensa que Deus é o amor, as coisas parecem melhorar...
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