Apenas uma participação branda, coadjuvante. "So What"
Sim, esse inexorável malandro fez um disco inaugurando o "Cool" style! Ou será que isso aconteceu por causa da mudança decisiva na época, o cinema falado. Porque até o começo do século passado isso não existia, pois o cinema era mudo e as intenções eram expressadas pela música ao vivo, sendo orquestra, solista ou um grupo pequeno de música de câmara. Se levarmos em conta o conceito de música de Schopenhauer no qual a música é superior as demais artes, pois consegue expressar o que as palavras não conseguem, mas com o excêntrico apanágio de não ter representação, podemos entender como existiam filmes sem fala.
O Swing das big bands dominava geral, e de repente com a palavra falada, tudo mudou e aí começou o que muitos chamam de musica de fundo, musica de elevador, musica de hall...
Hall? Agora chegamos ao ponto! Concierto de Jim Hall!
Me parece que o compositor Joaquim Rodrigo que escreveu o lendário Concerto de Aranjuez, preferiu a gravação de Paco de Lucia a outros intérpretes desta famosa obra, levando-se em conta que Paco tem a leitura ruim, provavelmente a intuição teve um fator impreterível para a memorização da peça, pois ele é flamenco, e esses na maioria dos casos não lêem musica, mas o que o compositor espanhol não sabia era que um time de americanos da pesada iria fazer uma versão cool desta obra.
Jim Hall nasceu jazzista e acredito que isso percebe-se pelo refinamento e sensibilidade de interpretação, acredito que pode-se dizer que o jazz dele é de uma erudição brutal e um lirismo maravilhoso, basta lembrar que Pat Metheny o citou como o melhor guitarrista vivo.
Sim, o Cool jazz é como aquela mulher que está quase disfarçada para passar despercebida, mas que quando voce presta a atenção, percebe que é de uma beleza estonteante, e que muitas vezes a discrição espontânea pode ser inefável.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Hermanos latinos
Pelo que eu fiquei sabendo, meu amigo turco chamado "Ali" disse que não quer mais morar com latinos, ele mora em Barcelona e sempre dividiu o aparatamento com venezuelanos, brasileiros, colombianos, etc... Uma das observações e que também é um argumento, é o fato de que os latinos querem participar da sua vida, perguntar como estão as coisas, dar palpites e tudo mais.
Mas a pergunta que fica é: Será que alguém de fora da America latina consegue perceber a diferença entre as pessoas dessas diversas nações da America colonizada e massacrada por portugueses e espanhois?
Numa entrevista, Herbert Vianna disse que após um mega show na Argentina, um argentino pegou ele pelo colarinho e disse: Quando voces brasileiros vão entender a força que voces tem aqui na Argentina?
Imagino que deve ter sido difícil responder essa espontânea pergunta.
A verdade é que nós brasileiros nos achamos melhores que o resto da América latina, e isso já está enraizado na mentalidade brazuca. Nós ainda queremos ser brancos, achamos o padrão de beleza europeu loira de olhos azuis o ideal, precisamos ter um reconhecimento no exterior pra poder acreditar no nosso potencial, o que apenas demonstra o quanto ainda somos colonizados.
Ou será um equívoco?
Nós que fomos os únicos colonizados por portugueses nesse gigante mundo novo, ainda não percebemos a diferença nisso, falamos e fazemos piadas pejorativas dos portugas, e ainda não entendemos que nossa colonização foi heterodoxa no melhor sentido. Ou será que outros colonizadores ao invés de impor o próprio jeito de viver, dormiriam em redes e teriam filhos com as índias, e além disso ainda proibiriam usar a terminologia "caboblo" para essas crianças? Acredito que Sérgio Buarque de Holanda já nos ensinou todas as qualidades e vantagens que o Brasil teve em ter sido colonizado por Portugal... Toda essa miscigenação que é um dos pilares da personalidade do país, e a cordialidade do brasileiro...
E nós ainda não entendemos isso tudo, e continuamos com uma ingênua prepotência perante nossos hermanos latino americanos, e ainda temos a audácia de falar que os argentinos que são assim.
Nos EUA eles chamam os "Cherokee" de nativos, mas aqui no Brasil qualquer tribo é chamada de índios e com um comentário de que são preguiçosos... Os "Paralamas do Sucesso" foi a banda que mais investiu no publico latino americano e conseguiu ter uma boa resposta porque em primeiro lugar se assumiu como uma banda latina americana.
Mas também não podemos esquecer que o argentino Daniel Barenboim é o maestro da orquestra Filarmonica de Berlim, que o pianista brasileiro Nelson Freire é considerado talvez o maior pianista vivo, o violonista brasileiro Fabio Zanon é um dos maiores ícones mundiais do instrumento, e o genial uruguaio Álvaro Pierri é professor de violão na universidade de Viena, além de que as musicas do Tom Jobim são algumas das mais tocadas no mundo... Mas será que alguém sabe quem são Caitro Soto, Atahualpa Yupanqui, Agustín Barrios ou Violeta Parra?
Se não conseguimos olhar nem para nós mesmos, como vamos conseguir enxergar nossos companheiros colonizados pelos espanhois, esses que vieram pra cá e mataram mais de 100 milhões de "nativos".
Mas a pergunta que fica é: Será que alguém de fora da America latina consegue perceber a diferença entre as pessoas dessas diversas nações da America colonizada e massacrada por portugueses e espanhois?
Numa entrevista, Herbert Vianna disse que após um mega show na Argentina, um argentino pegou ele pelo colarinho e disse: Quando voces brasileiros vão entender a força que voces tem aqui na Argentina?
Imagino que deve ter sido difícil responder essa espontânea pergunta.
A verdade é que nós brasileiros nos achamos melhores que o resto da América latina, e isso já está enraizado na mentalidade brazuca. Nós ainda queremos ser brancos, achamos o padrão de beleza europeu loira de olhos azuis o ideal, precisamos ter um reconhecimento no exterior pra poder acreditar no nosso potencial, o que apenas demonstra o quanto ainda somos colonizados.
Ou será um equívoco?
Nós que fomos os únicos colonizados por portugueses nesse gigante mundo novo, ainda não percebemos a diferença nisso, falamos e fazemos piadas pejorativas dos portugas, e ainda não entendemos que nossa colonização foi heterodoxa no melhor sentido. Ou será que outros colonizadores ao invés de impor o próprio jeito de viver, dormiriam em redes e teriam filhos com as índias, e além disso ainda proibiriam usar a terminologia "caboblo" para essas crianças? Acredito que Sérgio Buarque de Holanda já nos ensinou todas as qualidades e vantagens que o Brasil teve em ter sido colonizado por Portugal... Toda essa miscigenação que é um dos pilares da personalidade do país, e a cordialidade do brasileiro...
E nós ainda não entendemos isso tudo, e continuamos com uma ingênua prepotência perante nossos hermanos latino americanos, e ainda temos a audácia de falar que os argentinos que são assim.
Nos EUA eles chamam os "Cherokee" de nativos, mas aqui no Brasil qualquer tribo é chamada de índios e com um comentário de que são preguiçosos... Os "Paralamas do Sucesso" foi a banda que mais investiu no publico latino americano e conseguiu ter uma boa resposta porque em primeiro lugar se assumiu como uma banda latina americana.
Mas também não podemos esquecer que o argentino Daniel Barenboim é o maestro da orquestra Filarmonica de Berlim, que o pianista brasileiro Nelson Freire é considerado talvez o maior pianista vivo, o violonista brasileiro Fabio Zanon é um dos maiores ícones mundiais do instrumento, e o genial uruguaio Álvaro Pierri é professor de violão na universidade de Viena, além de que as musicas do Tom Jobim são algumas das mais tocadas no mundo... Mas será que alguém sabe quem são Caitro Soto, Atahualpa Yupanqui, Agustín Barrios ou Violeta Parra?
Se não conseguimos olhar nem para nós mesmos, como vamos conseguir enxergar nossos companheiros colonizados pelos espanhois, esses que vieram pra cá e mataram mais de 100 milhões de "nativos".
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