sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Tudo bem?

Talvez essa seja uma das frases mais repetidas do nosso cotidiano, mas eu me pergunto será que é possível está "tudo bem" mesmo? Tudo? Não sei, mas uma pergunta que me intriga também e que é muito comum ser usada nesse meio virtual é: "Como voce tá?" Talvez essa pergunta seja mais razoável, mas dependendo aonde colocarmos a vírgula temos outro contexto, por exemplo se perguntarmos a uma beldade feminina: "Como vc, ta?" Acho que a pergunta pode ter outra conotação apenas por causa de uma vírgula. E como diria o maestro Abel Rocha, vírgula não é orégano que voce joga pra cima e cai em qualquer lugar. Mas eu gosto mesmo é do Saramago fazendo uso da vírgula, esse sim nos mostrou estilo na pontuação e na língua portuguesa. A verdade é que uma nação é definida pelo seu idioma, pois no dialeto e no idioma já está imanente uma forma de pensar e de ver o mundo. Se não me engano foi em 2006 ou 2005 quando comecei a estudar as 4 estações de Astor Piazzolla... Cheguei na aula querendo mostrar o "Verano porteño", e meu mestre disse: Está lido e decorado, agora falta o "sotaque"! E assim como todos os grandes mestres, ele tentou me orientar para conseguir achar o sotaque coerente com o estilo e me deu a dica: Veja filmes argentinos, preste a atenção no jeito que eles falam, a entonação, a métrica e a divisão das palavras nas sentenças... E por falar em sotaque, posso comentar aqui que minha amiga portuga adora o sotaque carioca, afinal o jeito que os cariocas acentuam e falam o "s" é consequência da grande colônia portuguesa no RJ, e o "r" carioca vem de resquícios da língua francesa. E agora para terminar esse texto quase erudito, vou usar aquela eloquência na qual as pessoas gostam do que elas se identificam, e aqui no Brasil não podemos ser muito eruditos porque soa "arrogante", então vou terminar em grande estilo e de uma forma acessível sem pretensões intelectuais, algo que todos sabem como fazer, ou seja, vou sair para fazer um churros...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O grande jogo

Não sei se entendi por quê após a vitória de um time de futebol os torcedores fazem barulho, gritam, e apertam a buzina compulsivamente frenéticos pela cidade, afinal por que meus ouvidos tem que compartilhar essa baderna? Tudo bem se voce disser que meus ouvidos são "emo", e que estou sendo um chato, mas o que eu posso fazer se ouvir é um ato involuntário? Talvez o único de nossos sentidos ao qual não conseguimos nem por um segundo ter controle, o máximo que podemos fazer é selecionar o que ouvir, mas mesmo assim, isso só é possível em algumas situações... O que acontece é o inevitável, ou seja, acabo por torcer contra os times grandes, pois quero simplesmente dormir com o barulho que já estou acostumado. Sempre achei que o jogo e o esporte são situações artificiais que criam tensão e relaxamento assim como a vida.
Lembro-me muito bem quando eu e Faboi levamos as nórdicas ao Maracanã, o jogo era Fluminense e América. Quando entrávamos no estádio, eu falei para a sueca: Karl Marx disse que a religião é o ópio do povo, mas se Marx fosse brasileiro, ele diria que o futebol é o ópio do povo, mas o que impressionou a sueca foi a goleada de 6 a 1 do Flu em cima do América...
Diga-se de passagem que uma das primeiras coisas que o argelino Albert Camus pediu após chegar ao Brasil foi que o levassem para assistir a uma partida de futebol. Fico imaginando como seria o autor de "O estrangeiro" excitado no meio da torcida... Mas agora tenho que recordar que Sócrates já nos ensinou que é realmente importante no jogo da vida não é saber as respostas, mas fazer as perguntas certas, e por isso estou começando a crer que os escritores contemporâneos chegam aqui ou em qualquer lugar do mundo e perguntam: Aonde posso jogar eXistenZ?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Brincadeira?

As crianças tem brinquedos e depois que crescem brincam com as palavras, e estas acabam se transformando no brinquedo do adulto. É verdade que a palavra impressa destribalizou o homem do ocidente, e o individualismo chegou as ultimas consequências por causa disso. Simone de Beauvoir escreveu que a infelicidade dos homens é causada pelo simples fato de um dia eles terem sido crianças, afinal de contas a criança pode chorar quando quer, reclamar e ter liberdade pra fazer tudo simplesmente por ser criança, e depois disso, esta cresce e sua vida agrega várias obrigações e muitas destas estipuladas por limite de tempo pouco confortável para sua execução... Talvez o motivo mais importante para brincar com as palavras seja por causa das mulheres, e para ajudar a entender isso vou citar mais um autor de peso, Oscar Wilde e esse já nos ensinou que os homens amam com os olhos e as mulheres amam com os ouvidos. O que seríamos de nós com nossa masculinidade grotesca sem a sensibilidade feminina para nos melhorar como pessoas? Sim, elas fazem com que sejamos melhores, e no fim nós só queremos contempla-las e satisfaze-las mesmo, arrancar um sorriso, ou tentar a missão impossível de entende-las... Como diria um falecido mestre: "Não basta amar, tem que dizer!"
Sim, e elas nos fazem dizer, ou seria brincar? "Brincar" digo por causa das palavras que são brinquedos, ou pela simples questão de que qual homem nunca ouviu observações a respeito de brincar com o sentimento de alguma donzela...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Talento ou trauma?

Lembro-me de uma aula em que o professor Marcos Pupo disse que a palavra "talento" teria surgido apenas no século XIX... Ás vezes o peso de uma palavra muda a vida de alguém, ou pode até atrapalhar. Bukowski escreveu que ao dizer a uma pessoa que esta possui talento e de fato ela não o possuir, é uma das formas mais eficazes de incentivar alguém a perder tempo. Se realmente a personalidade é construída por traumas, pode-se entender que o peso das palavras pode causar danos quase irreversíveis. Kierkegaard escreveu que o "eu" é a síntese do finito com o infinito. Acredito que o ser humano tem fascínio pelo infinito... A internet já nos apresentou o grande oráculo chamado "Google" e o infinito, até porque a electricidade não significa apenas o espectacular, mas a construção do reino da luz. Mas o que Platão acharia do nosso oráculo se ele acreditava que o livro era uma espécie de muleta, e que a oratória era o melhor caminho para aprender e absorver as coisas? O problema com o reino da luz e o infinito é se enforcar com a corda da liberdade, afinal nós nos tornamos o que contemplamos. Ok, temos o oráculo, o infinito, mas mesmo assim ainda acho que a humanidade não conseguirá se desfazer dos dois tipos mais comuns de extirpar a realidade, que são as drogas e o luxo, aliás, falando nisso, acho que hoje está um belo dia para saborear um carménère, fui...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Começo...

Hoje Pavão, amanhã espanador! Gostei dessa, afinal de contas achei que começar o Blog com essa frase seria coerente... Estamos no momento aonde a fama pela fama e a vida imortal são sonhos de consumo, e aqui é possível falar sobre a internet na qual a revolução da descentralização já acontece por algum tempo, até porque o único perigo que existe ao escrever é que as pessoas leiam... Seria puro narcisismo ter um Blog? Se partirmos do príncipio que narciso vem de "narcosis" uma palavra grega que significa entorpecimento... E por isso me pergunto o que é mais edificante, quem escreve e faz isso para se entorpecer ou se aqueles que já estão entorpecidos começarem a escrever ou ler... Acredito que citar o pensador mais influente do oriente seja necessário neste momento: Só merece ser mestre aquele que toda vez ao ensinar a mesma coisa, aprende algo diferente. Confúcio
Ás vezes tenho a impressão de que no Brasil existe um certo desmerecimento pela profissão de professor, queria entender bem o por que disso, afinal acho que a raiz dos nossos problemas está completamente conectada com este tema da educação... Precisa-se de estímulo para estudar, pois a busca pelo conhecimento é a busca pela verdade, e boas referências é o mínimo para não cair na ingenuidade do narcisismo infantil de olhar para si mesmo e se achar mais do que é.
Como diria Fernand Braudel, nossas vidas são marcadas pelas pessoas excepcionais que passam durante o decorrer de nossa existência. Vou terminar esse texto por aqui porque preciso estudar, afinal saber as próprias limitações é o único jeito de evoluir, e agora vou encara-las nesta infinita batalha...

domingo, 26 de outubro de 2008