Lembro-me de uma aula em que o professor Marcos Pupo disse que a palavra "talento" teria surgido apenas no século XIX... Ás vezes o peso de uma palavra muda a vida de alguém, ou pode até atrapalhar. Bukowski escreveu que ao dizer a uma pessoa que esta possui talento e de fato ela não o possuir, é uma das formas mais eficazes de incentivar alguém a perder tempo. Se realmente a personalidade é construída por traumas, pode-se entender que o peso das palavras pode causar danos quase irreversíveis. Kierkegaard escreveu que o "eu" é a síntese do finito com o infinito. Acredito que o ser humano tem fascínio pelo infinito... A internet já nos apresentou o grande oráculo chamado "Google" e o infinito, até porque a electricidade não significa apenas o espectacular, mas a construção do reino da luz. Mas o que Platão acharia do nosso oráculo se ele acreditava que o livro era uma espécie de muleta, e que a oratória era o melhor caminho para aprender e absorver as coisas? O problema com o reino da luz e o infinito é se enforcar com a corda da liberdade, afinal nós nos tornamos o que contemplamos. Ok, temos o oráculo, o infinito, mas mesmo assim ainda acho que a humanidade não conseguirá se desfazer dos dois tipos mais comuns de extirpar a realidade, que são as drogas e o luxo, aliás, falando nisso, acho que hoje está um belo dia para saborear um carménère, fui...
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